quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Feira Tesoura #2 é realizada dia 20 de agosto na Casa Nem




Hey Girlfriend, I got a proposition goes something like this: te desafio a colar na Tesoura #2!
É a feira de zine, artes, comida, resistência mais foda do Rio de Janeiro. E ela vem especialmente mais caprichada, exuberante e potente, pois é a segunda edição é justamente feita no Mês da Visibilidade Lésbica. Se você gosta de produção independente, zines, comida vegana, Riot Grrrl e toda sorte de música rebolante, cola na Casa Nem, no sábado (20), que tenho certeza que será sucesso.

Participei da Tesoura #1 (e você pode ler mais aqui) e já quero que tenha uma terceira, quarta, quinta.. que essa coletiva só se fortaleça. Vamos ao serviço. Das 17h às 22h, rola a belíssima Feira e Exposição Tesoura. Maracujá Roxa, Drunken Butterfly, Efusiva, Ju Gama e Tailor são algumas das pessoas que vão expor e levar zines babadeiros. Ainda, rango vegan demais da conta com Roberta Antonia, Coletivo Vegetariano, Improviso Vegano, Hamburguesa Vegana e Viva Velloso. Se animar de tatuar, a Carol Maia estará disposta. E se der aloka pra cortar a cabeleira, quem te auxilia no processo da tesoura é a Camila Puni. Claro, tudo pra ser pago na onça porque nesse role não rola máquina de cartão. Se quiser encontrar achadinhos num brechó lindeza a Julia Oliveira e Pós-Brecho estarão lá também.

Às 22h a feirinha se despede e recebe, de pernas abertas, o show sapatânike de Floppy Flipper e MarthaV. E para as pessoas noturnas, das 23h até a hora que o seu coração mandar, rola festinha e sejogação com as sapa-dj, Helena Assanti e Soso. A contribuição voluntária de 10 dilmas (não nos renderemos a moeda dos golpinhos) ajudará a realização dos próximos eventos na cidade exxxpeculação imobiliária. Toda a grana do bar é direcionada à CasaNem e ao PreparaNem. 

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Recado da CasaNem: transgêneros e pessoas transvestigeneres no geral: 0800 (só não vale dizer que é "cis nb" na entrada). E quem puder contribuir com 1kg de alimento não perecível ajuda a CasaNem, não esquece! Nem precisa falar que nenhum tipo de opressão passará porque as bicha lacra né? Cola nesse role gato e depois me conta os babados todos. Para confirmar presença chegaí. No evento você encontra o link dos trampos da galera que tá fazendo a Tesoura acontecer.  

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Links da Semana #9

Foto: Reuters

Recentemente comecei a pensar em escrever uma newsletter! A ideia inicial é, caso ela exista, produzir no estilo de postagem do Links da Semana. Caso role, o LDS não existiria mais. Ainda não há nada definido, mas criei um questionário no Google Docs perguntando a sua opinião sobre isso e otras cositas mas. Responda aqui, é super rápido! E obrigado a todo mundo que já participou!
Normalmente este post é publicado aos sábados, mas desta vez vai ser na segundona mesmo.


Alguns tópicos interessantes sobre as Olimpíadas
Existem inúmeros problemas políticos e sociais causados pelo Estado para realizar as Olimpíadas e existe silenciamento também. Mas ela está acontecendo e vamos celebrar o que as atletas estão fazendo. Elas são inspiração e representam universos importantes para as mulheres. Esta é a lista de coisas que acho que merece a sua atenção:

Marjorie & Izzy
A foto pós pedido de casamento (ali em cima) foi uma das primeiras que vi num dia de manhã e deu aquele quentinho de alegria no coração. Marjorie é gerente de serviços para o Rugby e, durante a premiação das medalhas da disputa feminina - na qual a Austrália levou o ouro, pediu em casamento sua companheira Izzy Cerullo, jogadora da seleção brasileira de Rugby. Olga Esporte Clube entrevistou Izzy e está fazendo uma cobertura pautando as mulheres, confira.Veja aqui o vídeo da proposta! Ah, e o vídeo do pedido também foi exibido no jornal Bom Dia Brasil, da Globo. Ninguém resiste ao amor!

Rafaela Silva
De Cidade de Deus, para o mundo! O ouro reluzente e antiracista de Rafaela Fucking Silva foi um momento e tanto. Sargento, negra, lésbica. Ela superou o mundo inteiro e inspira várias molecadinhas a seguirem no esporte. Não deixe de ler a análise de Mário Magalhães.

 Foto Danilo Verpa/NOPP

Darya Safai
Darya Safai é uma mulher iraniana que vive na Bélgica. Ela defende a livre entrada das mulheres em estádios iranianos. Durante um jogo da seleção de Vôlei do Irã, ela estava feliz e sorridente se manifestando pacificamente e silenciosamente. Mas aí os seguranças do estádio disseram que ela seria expulsa se não guardasse a faixa. Fora aquele que não pode ser nomeado feelings. Leia mais no Buzzfeed. 

Joanna Maranhão
A nadadora Joanna Maranhão, após ser eliminada da competição, sofreu um ataque machista, racista e homofóbico. Não vou repetir as monstruosidades ditas a ela, mas Joanna já registrou um boletim de ocorrência. Se ganhar o processo, a atleta pretende reverter o dinheiro que ganhará em prol de seu trabalho social. Veja mais aqui e aqui.

Dança do Passinho
A seleção brasileira de Vôlei só da close certo. Primeiramente, elas postaram esta foto sapabondística. Depois, elas lançaram o passinho no intervalo do jogo. E mandaram muito bem! Assista aqui.

Por mais 'Bernardos' no mundão 
O Bernardo ficou famoso esta semana porque riscou o nome do Neymar de sua camisa da seleção brasileira e criou sua própria camisa da Marta. Nesse vídeo lindo de viver, ele elogia sua ídola e fala outras coisas lindas. Assista!

E sexta-feira vi que meu coração anda muito bem, naquele jogo impossível da seleção brasileira de Futebol contra as australianas. Yas Kween, Yas Bárbara!!






A história do Punk Feminista em 33 músicas
Kate Wadkins (que já entrevistei e criou e capa do zine Histérica #3) faz parte do time de autoras que assinam a matéria 'The Story of Feminist Punk inn 33 songs', publicada pelo Pitchfork esta semana. Para quem lê em inglês, vale a pena a leitura. Aqui.


Erica Freas anuncia novo álbum solo e disponibiliza música inédita
Um dos principais nomes da música independente faça você mesma de Olimpia (WA) não para de produzir! Erica Freas, vocalista e guitarrista da RVIVR que já tem 3 álbuns e eps solo, disponibilizou "Please Go Walk in The Rain". A música, acompanhada por um violão celo, faz parte do disco Patient Ones, que será lançado pela Don Giovanni Records no dia 30 de setembro.





Juliana Lossio Art
Em alguns Links da Semana indiquei alguma ilustradora/desenhista/artista e nessa semana apareceu esse trabalho da Juliana Lossio na minha timeline e achei justo compartilhar com vocês.Além de ter um traço original e que acho bem bonito, Juliana Lossio desenha temas políticos e também fala sobre seriados, tristezas e essa barra que é viver. Conheça o trampo dela. 







Warpaint disponibiliza 'New Song', que faz parte do novo disco
As minas do Warpaint vão lançar 'Heads Up' no dia 23 de setembro. E 'New Song' é uma das músicas que fazem parte do álbum.






Canal: Letícia e Luíza
A Letícia (da fan page Mulheres Artistas) e sua irmã Luíza criaram um canal nerd que você precisa conhecer. Um lance legal é que Luíza é pré-adolescente e Letícia adulta, e juntas estão criando várias coisas lindas. Confira a tag sobre Filmes dirigidos por mulheres e inscreva-se no canal delas!





Julie Ruin lança clipe de 'Mr. So and So'
Tem disco novo, o Hit Reset, e tem clipe novo também! Veja o que Julie Ruin está aprontando agora:






quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Maria Bonita Fest rola no dia 6 de agosto na Casa Goiaba


No sábado, 6 de agosto, rola na Casa Goiaba (São Paulo) o Maria Bonita Fest. O evento, organizado por mulheres e lésbicas, fortalece a movimentação punk/hardcore das minas. A organização e estrutura do evento é toda feita por mulheres, da organização do espaço até a montagem de palco. Além dos shows de Sistah Chilli, Zero Absoluto, Kolika, Ratas Rabiosas e uma banda surpresa, no Maria Bonita vai rolar brechó, Flash Tattoo, exposição e venda de rango vegano.

Para celebrar o mês de visibilidade lésbica, comemorado no dia 29 de agosto, haverá um momento reservado para o debate exclusivo entre as mulheres lésbicas. Trata-se do debate "Cultura, arte e comunicação como ferramenta de resistência lésbica" às 16h. 

Os homens cis que compreendem que o espaço de fala-pogo-contrução política e zueira é das minas e o evento é para elas, são bem-vindos. O evento começa a partir das 16h e a entrada é gratuita. Você também pode fazer uma contribuição voluntária de itens de higiene, beleza, leite em pó ou fralda que serão doados para as mulheres do CATSO. Muito mais informações no evento. A Casa Goiaba fica na Rua Marta, 115 - próximo ao metrô Barra Funda. 

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Não é comum, na fase atual do Cabeça Tédio, a divulgação de eventos. No entanto, desta vez estamos fazendo este experimento e desejamos um role foda para todaxs! 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star será lançado pela Oxenti Recs

Montagem: Cabeça Tédio - Fotos creditadas: Trash No Star - Filipa Andreia e Ostra Brains - Fê Fotografia

Um álbum formado por quatro bandas brasileiras, com mulheres na formação, que são independentes/faça você mesma, não é algo corriqueiro. Não só porque não existem tantas bandas ativas que caibam dentro deste nicho, mas também porque não há muitos selos independentes brasileiros voltados para, conscientemente, registrar o que as mulheres tem tocado e criado ultimamente. Por isso, o 4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star, que será lançado em breve pela Oxenti Recs, chamou tanto a minha atenção.

As cariocas Trash No Star e Ostra Brains representam o lado do sudeste, já Oldscratch e Räivä o hardcore/punk de Alagoas, representando as boas bandas do nordeste. E isto torna o lançamento ainda mais relevante, pois há propositalmente, um recorte regional e de gênero. Outro disco que tem um pouquinho destas características e que me marcou muito (e uma legião de ouvintes de punk/hardcore) foi o 3way: Ofensa, Mais Treta e Triste Fim de Rosilene, lançado há pelo menos 10 anos, pela Estopim e Alea Recs. O cd tinha bandas politizadas, do sudeste e nordeste e que faziam o meu tipo de som preferido na época. Estou dizendo isso tudo porque, mesmo ainda não tendo visto nada de concreto sobre o 4way, acredito que ele será tão relevante quanto o anterior o 3way.

O que os splits têm em comum? Selos do nordeste, letras politizadas e sonoridade punk. A grande diferença entre eles é que no 3way havia apenas uma mulher nas bandas, a Daniela Rodrigues (TFR e hoje The Renegades of Punk) e no 4way há mulheres em todas as bandas. Segundo a Oxenti Recs, ainda não há uma data prevista para o lançamento. Nós torcemos para que seja breve. E para já deixar todas ainda mais ansiosas, conversamos com Ostra Brains e Oldscratch sobre o disco. Confira!


1way: lado Oldscratch da entrevista


Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

O selo que vai lançar é a Oxenti Rec. do Rio. Acho que começou no meio do ano passado, quando estávamos anunciando a gravação do nosso disco ainda. A Bárbara, que faz parte do selo aqui em Alagoas e sempre cola nos rolês com a gente, nos jogou a ideia do split com a Ostrabrains, isso inicialmente, coisa que curtimos muito porque já conhecíamos a Amanda e a banda bem de antes. Meio que na mesma época a Räivä se instigou pra gravar o próprio EP também, acho que aconteceu algo parecido com a Thrash No Star, e por sermos todas bandas próximas (a baixista e a baterista da Oldscratch tocam na Räivä e a Thrash é parceira da Ostra) foi fácil pensar em juntar todas num bonde só, e fico muito feliz por ser um disco que várias amigas fazem parte. O lançamento não tá previsto ainda, mas assim que as gravações de todas as bandas finalizarem, sai.

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?
Acho que pode tanto fortalecer as minas que já estão engajadas em projetos musicais, incluindo nós mesmas, quanto incentivar outras que por algum motivo ainda não começaram, além de demarcar nosso espaço do nosso jeito, dizendo e reivindicando o que nos interessa também. Quanto mais produção feminina, melhor. Vai formando um alicerce.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?
Posso dizer que já tá nos planos. Estamos trabalhando ao poucos a ideia.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?
Que a vontade tem que estar acima de todas essas coisas. Até porque se aprende mais fazendo do que se apropriando de teorias e regras. Na maioria das bandas que já fiz e faço parte, teve uma ou mais pessoas que tinham pego pouquíssimas vezes no instrumento e aprenderam nos ensaios. Pra isso é importante estar com pessoas que se sente confortável, que não vão embaçar, que estejam afim de fazer algo junto mesmo. Toquei guitarra sozinha em casa por uns 3 anos até a primeira banda, mas a pressãozinha de acompanhar os outros instrumentos nos ensaios é muito diferente, te adianta em muita coisa. Quanto à idade, isso também não tem nada a ver. Enquanto tiver necessidade de expressão e essa for melhor através da música, assuma, na moral!


CT) Vocês vão lançar músicas indéditas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do 'Padrões de Conserva'?
Então, serão duas músicas mais puxadas pra “There’s no Control” que, assim como essa, foram compostas ainda no início da banda, então têm uma levada mais grunge e são em inglês. Separamos elas pra o 4way, mas sempre tocamos nos shows. Nas demais músicas do nosso disco já preferimos abordar nossas questões com letras em português e o split vai contar com uma delas também.


CT) A cena musical independente de Maceió conta com mais mulheres produzindo música autoral? Indica mais alguma banda punk/hardcore para nós?
Sim sim, entre elas posso citar a Katty Winne (indie shoegaze); Lillian Lessa, tá com projeto solo mais psicodélico e toca na Necro; banda C.I.A., punk/hardcore, só de minas; tem a Arielly Oliveira, que fez parte do Biografia Rap – particularmente não ouço rap, hip hop, mas fui num show dela mês passado e achei incrível o trampo e a presença; e, claro, RÄIVÄ, que logo mais o EP sai da mixagem.



2way: lado Ostra Brains da entrevista

Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

A proposta do Fourway surgiu através da Bárbara Oliveira (Binha) e Klebson Silva, da Oxenti Recs. Fomos convidados a participar no dia que abrimos o show do RVIVR em 2015, na Audio Rebel. A ideia inicial era ser um split Ostra Brains (RJ) + Oldscratch (AL), mas a Binha teve a ideia de juntar RÄIVÄ (AL) + Trash No Star (RJ) no bolo e formar um fourway. Terão três faixas de cada banda no álbum, nós estamos gravando com o Ernesto Sena (Parte Cinza).

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?

Imensa importância, porque existem poucos registros de material feminista no punk/HC do Brasil. Fazer parte disso, é como se estivesse levantando milhões de possibilidades de novas bandas feministas surgirem daqui a meses.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?

Existe um interesse absurdo nessa tour, seria incrível tocarem as quatro bandas! Provavelmente aconteça lá pro final do ano, pelo sudeste mesmo. Ainda não sabemos ao certo.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?

Diríamos "Mete a cara!" rs. Brincadeiras a parte, mas eu, Amanda, faço isso diariamente quando encontro com qualquer menina num show. Acabo tendo uma postura de cobrança, rs. "Como assim você ainda não tem banda?! Você é incrível! O que tá faltando pra começar a tocar qualquer coisa?" Eu me sinto na obrigação de empoderar pessoas a tocarem, porque eu não tive incentivo nenhum, e esse lance de idade não tem limite! Não mesmo!

Quanto a ter banda, eu acredito no potencial de cada mulher. Vale a pena não limitar seus gostos musicais, digo isso por amar Karol Conka, Mc Carol e ouvir Anti-Corpos, sabe? Porque realmente faz falta, o RJ não tem uma banda de hardcore composta por mulheres, mas várias cantoras/musicistas feministas espalhadas por aí, tocando seus instrumentos e isso já me conforta bastante.

CT) O Ostra Brains vai lançar novas músicas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do Gelato Luv?

Serão lançadas três faixas novas no fourway. Todas são de cunho feminista, uma delas fala sobre estupro, outra sobre não admitir ser silenciada e outra sobre ser uma mulher e ter total liberdade para ter relações sexuais com quantas pessoas quiser, sem ser julgada. A forma de compor as bases e as letras não mudaram, mas com a entrada do Roger (baixo) e Mario (bateria), a banda ganhou mais peso. O EP "Gelato Luv" tem uma bagagem "garage punk", um som bastante primitivo e "cru", porém ainda temos essa essência do Garage Punk e do Riot Grrrl, mas com mais presença devido a mudança na formação. O som acabou ficando mais explosivo.

sábado, 30 de julho de 2016

Férias inesperadas ou: vem cá, vamos conversar



Sem planejar, tirei férias de quase dois meses do blog. Confesso que para mim, pareceu muito mais tempo. E você sabe (ou não) mas vez ou outra escrevo sobre ter/manter o blog e para onde estou levando-o (e a mim também). Este é um destes posts. Uma série de fatores causaram as férias: o meu notebook precário, o excesso de trabalho e a estafa causada por ele, aquelas tretonas que aparecem e que consomem sua energia de uma forma que você precisa se desligar para tentar voltar a fazer sentido. Nesse meio tempo deu para ler um pouco, ver umas séries, 'viver a vida na vida' (como diz a Ive) e surtar algumas vezes. E deu pra sentir saudade do blog e ter crise existencial em relação a ele. Me perguntei se ele é válido, se a abordagem está legal, se já não está datado ou é apenas uma forma de me ligar à minha adolescência. Não achei respostas para estas perguntas, e enquanto isso, sigo escrevendo por aqui.

Este ano comecei a escrever o Links da Semana e gostei. E o mais legal, recebi um feedback positivo de vocês. E, durante as férias, comecei a ler algumas newsletters que tornaram meus dias mais completos. Para nomear algumas, Bobagens Imperdíveis, Mulheres que Escrevem, Farol Jornalismo, femrecs da Letícia Arcoverde, Ágda e algumas outras. Isto de receber uma curadoria de conteúdo que tem a ver comigo, no meu e-mail, tornou as salas de espera, leitos de hospital e as manhãs de sábado mais agradáveis. Recomendo que você confira esta lista, que foi criada pela Aline Valek (que escreve o Bobagens Imperdíveis). Lá você encontrará várias newsletters e talvez uma delas te agrade.




Foi aí que senti a vontade de experimentar escrever uma newsletter, e queria saber se vocês teriam vontade de ler uma do blog. É uma forma um pouco mais íntima de diálogo, pois você pode fazer como eu, responder a newsletter com suas elucubrações e trocar figurinhas. Por isso, preparei este questionário - que é curto, promessa minha - e gostaria que você respondesse. Deve ser meu sol em peixes, mas gosto de ouvir as considerações dos outros sobre o blog, quando há alguma. Além da newsletter, pergunto também sobre o que você gosta ou gostaria de ler aqui e outras coisinhas. Pessoalmente, curto muito responder um questionário, se você também, vou gostar de ler suas respostas. Se isso falhar miseravelmente vou pensar no que fazer.

E para não falar que não falei em música, este texto foi escrito ao som de 'Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 1)', o ep de estreia da Def, banda do Rio de Janeiro. Se tudo der certo, em breve você lerá mais cosias sobre a banda por aqui.

Não esquece, se quiser responder o questionário, venha aqui. Nunca fiz um, mas creio que deixarei o link ativo durante 15 dias para quem quiser chegar.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Flashes da Feira Tesoura #1

Da esquerda para direita: Cabeça Tédio, Ju Gama e Maracujá Roxa - Foto: Letícia Ferreira

Fotos: Carla Duarte e Letícia Ferreira

Há algo muito poderoso em feiras de fanzines autônomas e feministas. Ver colagens, fanzines, adesivos, panfletos, desenhos originais, patches, poesias e um mundo de criações de pessoas trans, sapatânikes, feministas, bis - ver as criações de quem escapa da norma - é fortalecedor. Pode ser porque estes espaços não existem sempre, e quando eles acontecem, trazem muita resistência e modos de ser que transformam aqueles que participam.

Foi com esta sensação que saí da Feira Tesoura #1, que rolou no sábado (28), na Casa Nem (Beco do Rato, na Lapa/RJ). Com mais banquinhas e expositoras do que consigo me lembrar, tudo que vi eram publicações de pessoas que ousam (r)existir. O evento começou com o lançamento do fanzine Quimer(d)a/Sapattons Queerdrinhos. Uma publicação colaborativa de quadrinhos que mostra experiências de pessoas trans. Foi feita uma leitura coletiva em voz alta do zine, que potencializou ainda mais as histórias de vida do fanzine. Saí com aquela certeza de quem a despeito de qualquer característica, a função primeira do fanzine é criar comunidade e contar a história de pessoas que sofrem com apagamento e silenciamento.

Foto: Letícia Ferreira

Banquinha Cabeça Tédio - Foto: Carla Duarte

Exposição de colagens da minha banquinha. A colagem do meio é da Ju Gama - Foto: Letícia Ferreira
Maracujá Roxa - Foto: Carla Duarte
Banquinha Drunken Butterfly - Foto: Letícia Ferreira
Banquinha Sapatoons - Foto: Letícia Ferreira

Foto: Letícia Ferreira

Bordados da Letícia, foto dela mesma

A feira rolou dentro de uma sala que ficou super cheia e ainda rolaram muitas comidas veganas, discotecagem, festa e uma apresentação musical (que por enquanto não sei o nome). Lá pelas 19h a feira ficou abarrotada de gente esquisita e linda, que inspira. Bratmobile, Julie Ruin, Bikini Kill rolava na discotecagem e eu só queria levar todos os zines pra casa.

A feira foi um respiro pra mim. Uma pausa na rotina do trabalho que a gente não ama (mas que paga as contas), nos problemas em todas as situações que me sugam ao invés de me fortalecerem. Há algo muito poderoso nas sapatão, nas bis, nas trans, nas bicha, nas feministas, naqueles que ousam ser quem são. Como já disse o zine Manifesto da Peludinha:

O importante é sermos o mais próximo daquilo que sonhamos de nós mesmaxs.

Veja mais fotos lindas que a Letícia Ferreira fez da feira. 
Conheça - Drunken Butterfly // Maracujá Roxa // Teenage Micha

Trocas + compras da Feira - Foto: Carla Duarte

sábado, 21 de maio de 2016

Links da Semana #8

Bleed The Pigs

E chegamos a oito edições ininterruptas do Links da Semana! Não imaginava que eu fosse curtir tanto fazer este post. Mas to curtindo e to achando massa também que tem bastante gente gostando.
Bom, vamos ao que interessa, né? Aos links!



Bleed The Pigs 
Esta semana o AfroPunk postou uma foto da Kayla Phillips, vocalista do Bleed The Pigs. Fui ouvir a banda e achei fudido demais. Rápido, agressivo, com uma mulher negra no vocal e sendo muito representativa em um role que é dominado pelos caras. Se você não conhece ouça aqui! Para ler sobre Kayla e representatividade, veja este artigo da Hazlitt.


Estátua de Clarice Lispector
E em 2015 o Rio de Janeiro ganha a sua primeira estátua de uma mulher artista. A estátua de Clarice Lispector está no Leme (zona sul) e foi esculpida por Edgar Duvivier. A iniciativa não contou com apoio e foi custeada por Edgar e seu filho Gregorio, o ator e também escritor. Para mais informações confira a matéria do Brasil Post.



Susan Sarandon 
Como é bom assistir uma atriz como Susan Sarandon falando dos estupros e assédios cometidos por Woody Allen. Um artista privilegiado que, não importa o que as vítimas falem, é celebrado em todos os momentos pelo lucro que gera. A Susan Sarandon o criticou dura e abertamente neste vídeo. Para mais informações, confira este post do Collant Sem Decote.

Google apresenta emojis menos sexistas
A Super Interessante perdeu um pouco a linha no título desta matéria, falando que 'Google propõe uma revolução feminista no mundo dos emojis'. É só uma proposta, muito massa, de criar emojis menos sexistas e incluir nas figurinhas engenheiras, fazendeiras, rockstars. Leia aqui.

Jodie Foster critica a narrativa do estupro no cinema
Err.. eu não li esta matéria. Mas estou colocando no Links da Semana. Vou me explicar.. estou fazendo o post da maneira que posso, aqui no trabalho. Como algumas palavras são bloqueadas, como 'estupro', não consegui ler a matéria. Mas pelo que acompanhei nas redes sociais a atriz e diretora criticou os roteiristas que usam o estupro como o único propósito de motivar personagens femininas, É gravíssimo quando a arte e cinema reproduzem com tanta força todas as violências que as mulheres sofrem. Mas não é surpreendente. Leia aqui.

Mourn
A banda de Barcelona divulgou "Second Sage" música que será lançada com Ha Ha He. Elas são tão novas e fazem um punkzinho tão da hora. Ouve aí!



As águas vivas não sabem de si
Para quem gosta da Aline Valek o livro dela, 'As águas vivas não sabem de si', foi publicado pela editora Rocco este mês! Ainda não li, mas está na minha listinha. A Aline Valek é autora da newsletter 'Bobagens Imperdíveis' que é muito fera. Já passei alguns sábados tomando um café e lendo os textos dela. Você pode se inscrever aqui. E aqui você pode ler mais sobre o livro.

Sleater Kinney
Um show completo de 2000 foi upado nesta semana! Coisa mais linda de ver e ouvir.



Beyond What's Left 
Conheci esta banda pois ela foi lançada pela Rumbletowne (selo da Erica e Matt do revivere) recentemente. Beyond What's Left faz um punkrockzão cadênciado, com vocal de moça e rapaz, num ritmo bem próprio. É bem diferente do que ouço, então confesso que não está muito fácil defini-los. Mas acho que isso é bom, porque o som que eles fazem tem suas próprias características. Ouça aqui!

Djamila Ribeiro 
A feminista negra e mestra em filosofia política é a nova Secretária-Adjunta da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo! Isso que é representatividade urgente para as mulheres negras. Boa sorte para ela!


Afroflix
Uma plataforma que disponibiliza conteúdo audiovisual online com ao menos uma pessoa negra na produção. Não mais! Esta plataforma existe e é a Afroflix, lançada no dia 17 de maio. Você pode inscrever a sua obra ou indicar alguma que seja bem massa e não faça parte do acervo deles. De acordo com o site Agenda Preta seis mulheres negras já estão na plataforma. A diretora Yasmin Thayná, a jornalista Silvana Bahia, a desenvolvedora e UX designer Steffania Paola, a designer Bruna Souza e as pesquisadoras Monique Rocco e Erika Candido. Via Guerrilha GrrVisite o Afroflix.

Marlene Marder - LiLiPUT/Kleenex
A Kill Rock Stars divulgou que no último domingo, dia 15, Marlene Marder, guitarrista da LiLiPUT/Kleenex,faleceu. Ela é uma grande referência na música independente e das mulheres na música. Fica o nosso pesar. Leia aqui.




Thin Lips lança primeiro full length 'Riff Hard'
Nós já falamos outra vez desta banda maravilhosa da Filadélfia. E este mês foi lançado pela Lame O Records Riff Hard, que é bom demais. Os pop punkzeros já estão em tour pelos EUA e você ouve abaixo um dos sons. Para ouvir todos clique aqui.




Kathleen Hanna faz cover de 'Dancing in the Dark', de Bruce Springsteen
A música faz parte de 'Maggie's Plan', filme de Rebecca Miller que será lançado nesta sexta-feira (20). Hanna também faz uma participação no filme, que conta com Greta Gerwig, Ethan Hawke e Julianne Moore no elenco. Ouça essa belezinha!




Tegan and Sara
Love You To Death, novo álbum das irmãs canadenses, será lançado dia 3 de junho. E elas disponibilizaram recentemente 'Stop Desire', mais uma nova música do álbum. E a primeira música divulgada, 'Boyfriend' já tem clipe! Confira abaixo.