domingo, 11 de setembro de 2016

Links da Semana #10

Divulgação do documentário Mulheres Negras: Projetos de Mundo - Arteretirada da fan page

O feriado do 7 de setembro foi produtivo por aqui! Consegui fechar o post 10 álbuns lançados em 2016 que você precisa ouvir, conversar com quem acabou de descobrir o blog (isso é sempre muito fera) e me animar para fazer o Links da Semana #10. Talvez ele não esteja tão recheado, mas vem com temas extramente pertinentes. E me diga, qual link legal você viu esta semana?


Mulheres Negras: Projetos de Mundo
Estava no Twitter quando vi este link do Prosa Livre, que contém uma entrevista com Dayane Rodrigues, sobre o documentário Mulheres Negras: Projetos de Mundo. Até então não conhecia o projeto e antes de ler a entrevista, conferi o trailer do longa. Ele começa com uma citação poderosa de Gloria Anzaldúa. Depois, Luana Hansen, Djamila Ribeiro e Preta-Rara (citando apenas as mulheres que reconheci) aparecem lacrando. No fim do trailer senti aquela "pedrada" daquele tipo de trabalho que é pesado, urgente importante. Na entrevista, Dayane fala sobre como surgiu o documentário e a necessidade de criar narrativas das mulheres negras. Para empoderá-las, para lutar contra o racismo e visibilizar a resistência. O trailer é muito bom, recomendo muito que você assista e leia a entrevista, é só clicar no primeiro link deste parágrafo. E para quem está em SP: o documentário será lançado no dia 12 de setembro, às 19h, no Centro Cultural Olido - Av. São João, 473. A entrada é gratuita. 


Preta, Gorda, Sapatão e Riot Grrrl
Bah Lutz, do projeto Riot Grrrl Brasil, é vocalista da mineira Bertha Lutz. A banda de hardcore tocou em julho no 2º Distúrbio Feminino Fest, em São Paulo. Lá, elas tocaram a música "Preta, Gorda e Sapatão", que fala sobre esta resistência que é tão invisibilizada. Após o show, uma mulher branca e magra abordou Bah, sugerindo que ela substituísse o último verso da letra por "branca, magra e sapatão" porque segundo a moça, "nós também existimos". E é sobre isto que ela escreve para o blog Gorda e Sapatão. Isto é absurdo e problemático porque mulheres brancas, magras e lésbicas têm visibilidade esmagadora em relação à mulheres negras, gordas e sapatonas. Este é um texto urgente, importante, que precisa ser lido por tods, especialmente por quem colam nos roles. Leia aqui.



Aline Valek faz vídeo para Think Olga sobre como começar sua newsletter
Eu estava no trabalho quando a Think Olga publicou um vídeo no qual Aline Valek fala sobre como você pode começar a sua newsletter. Fiquei super satisfeita, porque já contei aqui que leio o Bobagens Imperdíveis - a newsletter fodona da Aline - e foi assim que comecei a ler outras e até em pensar em escrever uma. Claro, parei o que estava fazendo para assistir o vídeo. Ver uma pessoa que admiro e que está fazendo tanta coisa legal de forma independente me deixou muito feliz e deu aquela energia boa pra minha tarde. Por isso, acho que você também pode ver, para se inspirar e iniciar aquele projeto (seja ele qual for) que está querendo sair da gaveta.




Punk Rock Não é Só Pro Seu Namorado
Você precisa ler ou compartilhar um bom texto que fale sobre o que é o Riot Grrrl? Que faça um apanhado de algumas bandas e relacione o RG no contexto punk? Então os seus problemas acabaram! A Babi, do coletivo Non Gratxs, escreveu o texto "Punk Rock Não é Só Pro Seu Namorado" para o blog Crítica Persona. E no fim, rola uma playlist. Aprecie sem medo de ser feliz. Aqui!


Setembro Amarelo
A campanha Setembro Amarelo tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o suicídio e alertá-las aos sinais de pessoas que possam estar passando por esta situação. E ontem, dia 10 de setembro, foi o Dia Mundial de Combate ao Suicídio. É um dia de luta, porque cada dia é um e é uma batalha. A Kaol Porfírio fez um post a respeito que espero que te toque tanto quanto me tocou. Leia aqui. Outra ilustradora e feminista que falou sobre o tema hoje foi a Renata Nolasco (que já saiu em outro Links da Semana). Com o apoio de profissionais da área, ela preparou seis cartões sobre como lidar com depressão. A cada semana serão publicados dois, sendo que o primeiro já foi publicado. Acompanhe tudo pela fan page dela. A realidade do suicídio não pode ser ignorada, tão pouco a saúde mental das pessoas. Tenha atenção consigo e com o outro. Você vai conseguir.

Arte: Atóxico/Renata Nolasco

As Mina na História
Por conta do Setembro Amarelo, pipocou no meu feed uma newsletter da página As Mina na História sobre escritoras suicidas. Ainda não li, mas fiquei super contente por poder ler mais uma newsletter feita por mulheres que estão se movimentando muito. Você pode ler o texto e se inscrever aqui!

The Sad Ghost Club
É um clube para qualquer um que está se sentindo triste ou perdido. É o clube para aqueles que nunca se sentiram parte de outro clube. Esta é a descrição da fan page do zine The Sad Ghost Club, que fala principalmente sobre ansiedade e depressão de uma forma muito delicada e única. Lá, as vezes encontro uma compreensão e sensibilidade que não vejo em outras pessoas ou projetos. E eles publicaram uma tirinha especial sobre prevenção de suicídio com a legenda "conexão, comunicação, cuidado". Achei que essa era a melhor forma de terminar este Links da Semana. Continue vivendo! Fan page.

Livre tradução: "Eu passei por tudo isso... e eu mereço continuar vivendo"

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

10 álbuns lançados em 2016 que você precisa ouvir

Arte e texto: Cabeça Tédio

Faltam apenas três meses para o ano acabar! E este ano não decepcionou no quesito música, pois bons álbuns foram lançados até agora. Por isso, como no ano passado, listamos 10 discos que você precisa ouvir. A nossa lista compila música feita por mulheres (ou que tenha mulheres na banda); música independente e contracultural e também alguns grandes álbuns que mesmo não sendo contraculturais se destacaram pela representatividade e força que carregam. A lista contempla full lenghts e eps e não seguiu nenhuma ordem específica, ok?
E para você, quais discos de 2016 são importantes?


DEF - Sobre Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia - Parte 1
A primeira vez que ouvi a carioca DEF foi ao vivo, em um show em Volta Redonda/RJ. Os primeiros acordes já chamaram atenção, não era uma sonoridade comum nos roles faça você mesma. Era notável que as músicas eram intensas, resultado de experiências delicadas. Sobre Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia - Parte 1, lançado pela Bichano Records, não decepciona. Muito pelo contrário. O quarteto, influenciado por Ludovic e Cap'n Jazz, de alguma forma me lembrou da atmosfera de Gigante Animal, só que com uma visceralidade mais latente. Destaco "Dissolvendo" que realmente faz jus ao nome. Apoie a banda comprando camiseta, ep e indo aos shows, isso permite que eles continuem fazendo música.



Actual Crimes - Ceramic Cat Traces
Ainda falando em bandas catárticas, que levam você para os sentimentos conflituantes, está a Actual Crimes. De Londres, o power trio é claramente influenciado por Sleater-Kinney.  A música deles resgata boas referências sleaterkinneynianas, como alguns riffs e os encontros dos vocais de Ruth, Kirsty e Aaron em "Heavy Air". Claro, este não é o único mérito da banda. Actual Crimes tem sua própria identidade e força, fazendo um post-punk cheio de qualidade, que de alguma forma ainda me faz lembrar também da sonoridade de Cadallaca. E no bandcamp elas também usam a tag "queercore", um plus a mais pela representatividade.



Savages - Adore Life
Toda força, toda violência de Savages se materializa de forma única em Adore Life. Lançado em janeiro pela Matador Records, o disco torna impossível não elogiarovular Jehnny, Ayse, Gemma e Fay. Desta lista, é certamente a banda mais catártica, que fala sobre amor e humanidade de forma única. De punhos cerrados na capa, o álbum começa com "The Answer", o jeitinho romântico e caótico savaginiano. Melhor do que tentar descrever, é você mergulhar neste álbum. Não sou particularmente boa com tecnologias como Spotify ou Deezer, mas encontrei este link. Para quem gosta do bom e velho Soulseek, lá você encontra o disco.



Alice Bag - ST
2016 foi o ano do lançamento do primeiro álbum solo da lenda viva Alice Bag. A vocalista e uma das fundadoras do The Bags - uma das primeiras bandas punks de Los Angeles - sempre colocou em suas músicas questões de raça, classe e gênero. Hoje, a chicana carrega mais representatividade ainda, por ser uma pequena parcela da música independente de cabelos brancos que faz jus à sua juventude. Lançado pela Don Giovanni Records que não está para brincadeira, o disco tem momentos rock and roll, sempre carregado de punk rock e requebrância. Mas ela não se agarra a um gênero de música, "Suburban Home", por exemplo, chama atenção pelo piano e violino. Ah, a Allison Wolfe (Bratmobile) é uma das colaboradoras deste disco que você deve ouvir já! Confira também esta entrevista para a Bitch Media.



Tacocat - Lost Time
A banda de Seatlle lançou pela Hardly Art Records o álbum Lost Time. A sonoridade punk com pegadinha pop continua a mesma, assim como os bons vocais do quarteto. Não é o meu álbum preferido delas, mas tem boas músicas, que fazem piada/links com cultura pop. Um exemplo é 'Dana Katherine Scully', apenas uma das referências que a banda faz ao seriado Arquivo X. "FDP" fala sobre o famigerado primeiro dia da menstruação, e é a segunda música da Tacocat que fala sobre menstruar. A primeira é a muito boa "Crimson Wave". Já "Men Explain Things To Me" é uma crítica ao "homexplicanismo", o conceito que define quando um homem explica coisas que uma mulher já sabem a fim de ridicularizá-la.



Kitten Forever - 7 Hearts
A crudeza do punk, da escola Bratmobile-Mika Miko, a força do baixo e muita irreverência. Essa é sempre a constância do power trio de Minneapolis. 7 Hearts é o terceiro álbum de Kitten Forever, que já saiu em tour com Babes in Toyland e tocou com JD Samson, e mantém a mesma cadência dos discos anteriores. Destaque para a dançante "200X" que junto com "Nightmare", vão agradar profundamente as fãs de Allison Wolfe.



Thin Lips - Riff Hard
Depois da demo Divorce Year, Thin Lips nos presenteia com Riff Hard, primeiro full lenght da banda da Filadélfia, lançado pela Lame O Records. O instrumental todo é muito bom e segue toda a boa cartilha pop punk. Por isso, sinto que talvez eu injustice um pouco a banda, mas o que mais brilha nos meus ouvidos é o vocal da Chrissy, que é aquele vocal feminino não muito agudo que não tem como não amar nos pop punk.



The Julie Ruin - Hit Reset
Todas estávamos com saudades de Kathleen Hanna, né? Após três anos do lançamento de Run Fast, a ícone do punk feminista e Kathi Wilcox, Kenny Mellman, Carmine Covelli e Sara Landeau lançam Hit Reset pela Hardly Art Recods, em julho deste ano. Este não é um álbum de grandes hits e sim uma boa volta de Kathleen aos palcos, uma vez que ela vem se recuperando da Doença de Lyme. Espere muitos tecladinhos e aquele vibe Le Tigre, no sentido dança de robô do termo. Run Fast me agrada mais, mas o disco atual tem ótimas músicas, como, Mr So and So, que critica os rapazes feministos que são desconstruídos enquanto isto é conveniente para eles. Você já sabe onde baixar a versão gratuita, né?


Tegan and Sara - Love You to Death
Love You to Death (Warner) afundou os pés das irmãs canadenses no pop. A energia e vibe dos sintetizadores dos anos 1980 e uma pegadinha meio Cindy Lauper dão o tom da nova fase de Tegan and Sara. Se você gostou de Heartthrob, pode preparar para amar e requebrar bastante com o novo álbum. Até agora, os sons que mais gostei foram, "Boyfriend", "Stop Desire" e "100x".



Beyoncé - Lemonade
Facilmente este é um dos discos que mais ouvi este ano. Não sou profunda conhecedora do mundo Pop, tão pouco da indústria musical, mas considero Lemonade um álbum completo. Além de mostrar um lado musicalmente diferente de Beyoncé, ele é propositalmente politizado, colocando questões que talvez demorariam muito mais tempo para chegar à muita gente. Apesar da produção do disco ser assinada por muitos homens, diminuindo a visibilidade de outras produtoras e profissionais da área, ele fala de forma pertinente sobre feminismo, racismo, genocídio da juventude negra e empoderamento da mulher. Um exemplo é a letra de "Hold Up". O reggae do álbum fala sobre gaslighting, que é uma forma de abuso psicológico no qual as informações são distorcidas, inventadas ou omitidas de forma seletiva para que a vítima duvide de sua memória e sanidade. Por isso, "What's worse, lookin' jealous or crazy?" (livre tradução: "o que é pior, parecer ciumenta ou louca?"). Este é realmente um álbum visual, pois ao assistir o filme, a narrativa estética complementa muito as músicas. E no fim do dia, estamos vendo Beyoncé performar, dançar e dar muitos mais sentidos às canções. E claro, Lemonade não deve nada em termos de rebolation. Dá para sarrar bastante mesmo. É difícil destacar algumas músicas, mas se você ainda não ouviu recomendo começar por "Don't Hurt Yourself", "Sorry" e "Freedom".


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Feira Tesoura #2 é realizada dia 20 de agosto na Casa Nem




Hey Girlfriend, I got a proposition goes something like this: te desafio a colar na Tesoura #2!
É a feira de zine, artes, comida, resistência mais foda do Rio de Janeiro. E ela vem especialmente mais caprichada, exuberante e potente, pois é a segunda edição é justamente feita no Mês da Visibilidade Lésbica. Se você gosta de produção independente, zines, comida vegana, Riot Grrrl e toda sorte de música rebolante, cola na Casa Nem, no sábado (20), que tenho certeza que será sucesso.

Participei da Tesoura #1 (e você pode ler mais aqui) e já quero que tenha uma terceira, quarta, quinta.. que essa coletiva só se fortaleça. Vamos ao serviço. Das 17h às 22h, rola a belíssima Feira e Exposição Tesoura. Maracujá Roxa, Drunken Butterfly, Efusiva, Ju Gama e Tailor são algumas das pessoas que vão expor e levar zines babadeiros. Ainda, rango vegan demais da conta com Roberta Antonia, Coletivo Vegetariano, Improviso Vegano, Hamburguesa Vegana e Viva Velloso. Se animar de tatuar, a Carol Maia estará disposta. E se der aloka pra cortar a cabeleira, quem te auxilia no processo da tesoura é a Camila Puni. Claro, tudo pra ser pago na onça porque nesse role não rola máquina de cartão. Se quiser encontrar achadinhos num brechó lindeza a Julia Oliveira e Pós-Brecho estarão lá também.

Às 22h a feirinha se despede e recebe, de pernas abertas, o show sapatânike de Floppy Flipper e MarthaV. E para as pessoas noturnas, das 23h até a hora que o seu coração mandar, rola festinha e sejogação com as sapa-dj, Helena Assanti e Soso. A contribuição voluntária de 10 dilmas (não nos renderemos a moeda dos golpinhos) ajudará a realização dos próximos eventos na cidade exxxpeculação imobiliária. Toda a grana do bar é direcionada à CasaNem e ao PreparaNem. 

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Recado da CasaNem: transgêneros e pessoas transvestigeneres no geral: 0800 (só não vale dizer que é "cis nb" na entrada). E quem puder contribuir com 1kg de alimento não perecível ajuda a CasaNem, não esquece! Nem precisa falar que nenhum tipo de opressão passará porque as bicha lacra né? Cola nesse role gato e depois me conta os babados todos. Para confirmar presença chegaí. No evento você encontra o link dos trampos da galera que tá fazendo a Tesoura acontecer.  

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Links da Semana #9

Foto: Reuters

Recentemente comecei a pensar em escrever uma newsletter! A ideia inicial é, caso ela exista, produzir no estilo de postagem do Links da Semana. Caso role, o LDS não existiria mais. Ainda não há nada definido, mas criei um questionário no Google Docs perguntando a sua opinião sobre isso e otras cositas mas. Responda aqui, é super rápido! E obrigado a todo mundo que já participou!
Normalmente este post é publicado aos sábados, mas desta vez vai ser na segundona mesmo.


Alguns tópicos interessantes sobre as Olimpíadas
Existem inúmeros problemas políticos e sociais causados pelo Estado para realizar as Olimpíadas e existe silenciamento também. Mas ela está acontecendo e vamos celebrar o que as atletas estão fazendo. Elas são inspiração e representam universos importantes para as mulheres. Esta é a lista de coisas que acho que merece a sua atenção:

Marjorie & Izzy
A foto pós pedido de casamento (ali em cima) foi uma das primeiras que vi num dia de manhã e deu aquele quentinho de alegria no coração. Marjorie é gerente de serviços para o Rugby e, durante a premiação das medalhas da disputa feminina - na qual a Austrália levou o ouro, pediu em casamento sua companheira Izzy Cerullo, jogadora da seleção brasileira de Rugby. Olga Esporte Clube entrevistou Izzy e está fazendo uma cobertura pautando as mulheres, confira.Veja aqui o vídeo da proposta! Ah, e o vídeo do pedido também foi exibido no jornal Bom Dia Brasil, da Globo. Ninguém resiste ao amor!

Rafaela Silva
De Cidade de Deus, para o mundo! O ouro reluzente e antiracista de Rafaela Fucking Silva foi um momento e tanto. Sargento, negra, lésbica. Ela superou o mundo inteiro e inspira várias molecadinhas a seguirem no esporte. Não deixe de ler a análise de Mário Magalhães.

 Foto Danilo Verpa/NOPP

Darya Safai
Darya Safai é uma mulher iraniana que vive na Bélgica. Ela defende a livre entrada das mulheres em estádios iranianos. Durante um jogo da seleção de Vôlei do Irã, ela estava feliz e sorridente se manifestando pacificamente e silenciosamente. Mas aí os seguranças do estádio disseram que ela seria expulsa se não guardasse a faixa. Fora aquele que não pode ser nomeado feelings. Leia mais no Buzzfeed. 

Joanna Maranhão
A nadadora Joanna Maranhão, após ser eliminada da competição, sofreu um ataque machista, racista e homofóbico. Não vou repetir as monstruosidades ditas a ela, mas Joanna já registrou um boletim de ocorrência. Se ganhar o processo, a atleta pretende reverter o dinheiro que ganhará em prol de seu trabalho social. Veja mais aqui e aqui.

Dança do Passinho
A seleção brasileira de Vôlei só da close certo. Primeiramente, elas postaram esta foto sapabondística. Depois, elas lançaram o passinho no intervalo do jogo. E mandaram muito bem! Assista aqui.

Por mais 'Bernardos' no mundão 
O Bernardo ficou famoso esta semana porque riscou o nome do Neymar de sua camisa da seleção brasileira e criou sua própria camisa da Marta. Nesse vídeo lindo de viver, ele elogia sua ídola e fala outras coisas lindas. Assista!

E sexta-feira vi que meu coração anda muito bem, naquele jogo impossível da seleção brasileira de Futebol contra as australianas. Yas Kween, Yas Bárbara!!






A história do Punk Feminista em 33 músicas
Kate Wadkins (que já entrevistei e criou e capa do zine Histérica #3) faz parte do time de autoras que assinam a matéria 'The Story of Feminist Punk inn 33 songs', publicada pelo Pitchfork esta semana. Para quem lê em inglês, vale a pena a leitura. Aqui.


Erica Freas anuncia novo álbum solo e disponibiliza música inédita
Um dos principais nomes da música independente faça você mesma de Olimpia (WA) não para de produzir! Erica Freas, vocalista e guitarrista da RVIVR que já tem 3 álbuns e eps solo, disponibilizou "Please Go Walk in The Rain". A música, acompanhada por um violão celo, faz parte do disco Patient Ones, que será lançado pela Don Giovanni Records no dia 30 de setembro.





Juliana Lossio Art
Em alguns Links da Semana indiquei alguma ilustradora/desenhista/artista e nessa semana apareceu esse trabalho da Juliana Lossio na minha timeline e achei justo compartilhar com vocês.Além de ter um traço original e que acho bem bonito, Juliana Lossio desenha temas políticos e também fala sobre seriados, tristezas e essa barra que é viver. Conheça o trampo dela. 







Warpaint disponibiliza 'New Song', que faz parte do novo disco
As minas do Warpaint vão lançar 'Heads Up' no dia 23 de setembro. E 'New Song' é uma das músicas que fazem parte do álbum.






Canal: Letícia e Luíza
A Letícia (da fan page Mulheres Artistas) e sua irmã Luíza criaram um canal nerd que você precisa conhecer. Um lance legal é que Luíza é pré-adolescente e Letícia adulta, e juntas estão criando várias coisas lindas. Confira a tag sobre Filmes dirigidos por mulheres e inscreva-se no canal delas!





Julie Ruin lança clipe de 'Mr. So and So'
Tem disco novo, o Hit Reset, e tem clipe novo também! Veja o que Julie Ruin está aprontando agora:






quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Maria Bonita Fest rola no dia 6 de agosto na Casa Goiaba


No sábado, 6 de agosto, rola na Casa Goiaba (São Paulo) o Maria Bonita Fest. O evento, organizado por mulheres e lésbicas, fortalece a movimentação punk/hardcore das minas. A organização e estrutura do evento é toda feita por mulheres, da organização do espaço até a montagem de palco. Além dos shows de Sistah Chilli, Zero Absoluto, Kolika, Ratas Rabiosas e uma banda surpresa, no Maria Bonita vai rolar brechó, Flash Tattoo, exposição e venda de rango vegano.

Para celebrar o mês de visibilidade lésbica, comemorado no dia 29 de agosto, haverá um momento reservado para o debate exclusivo entre as mulheres lésbicas. Trata-se do debate "Cultura, arte e comunicação como ferramenta de resistência lésbica" às 16h. 

Os homens cis que compreendem que o espaço de fala-pogo-contrução política e zueira é das minas e o evento é para elas, são bem-vindos. O evento começa a partir das 16h e a entrada é gratuita. Você também pode fazer uma contribuição voluntária de itens de higiene, beleza, leite em pó ou fralda que serão doados para as mulheres do CATSO. Muito mais informações no evento. A Casa Goiaba fica na Rua Marta, 115 - próximo ao metrô Barra Funda. 

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Não é comum, na fase atual do Cabeça Tédio, a divulgação de eventos. No entanto, desta vez estamos fazendo este experimento e desejamos um role foda para todaxs! 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star será lançado pela Oxenti Recs

Montagem: Cabeça Tédio - Fotos creditadas: Trash No Star - Filipa Andreia e Ostra Brains - Fê Fotografia

Um álbum formado por quatro bandas brasileiras, com mulheres na formação, que são independentes/faça você mesma, não é algo corriqueiro. Não só porque não existem tantas bandas ativas que caibam dentro deste nicho, mas também porque não há muitos selos independentes brasileiros voltados para, conscientemente, registrar o que as mulheres tem tocado e criado ultimamente. Por isso, o 4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star, que será lançado em breve pela Oxenti Recs, chamou tanto a minha atenção.

As cariocas Trash No Star e Ostra Brains representam o lado do sudeste, já Oldscratch e Räivä o hardcore/punk de Alagoas, representando as boas bandas do nordeste. E isto torna o lançamento ainda mais relevante, pois há propositalmente, um recorte regional e de gênero. Outro disco que tem um pouquinho destas características e que me marcou muito (e uma legião de ouvintes de punk/hardcore) foi o 3way: Ofensa, Mais Treta e Triste Fim de Rosilene, lançado há pelo menos 10 anos, pela Estopim e Alea Recs. O cd tinha bandas politizadas, do sudeste e nordeste e que faziam o meu tipo de som preferido na época. Estou dizendo isso tudo porque, mesmo ainda não tendo visto nada de concreto sobre o 4way, acredito que ele será tão relevante quanto o anterior o 3way.

O que os splits têm em comum? Selos do nordeste, letras politizadas e sonoridade punk. A grande diferença entre eles é que no 3way havia apenas uma mulher nas bandas, a Daniela Rodrigues (TFR e hoje The Renegades of Punk) e no 4way há mulheres em todas as bandas. Segundo a Oxenti Recs, ainda não há uma data prevista para o lançamento. Nós torcemos para que seja breve. E para já deixar todas ainda mais ansiosas, conversamos com Ostra Brains e Oldscratch sobre o disco. Confira!


1way: lado Oldscratch da entrevista


Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

O selo que vai lançar é a Oxenti Rec. do Rio. Acho que começou no meio do ano passado, quando estávamos anunciando a gravação do nosso disco ainda. A Bárbara, que faz parte do selo aqui em Alagoas e sempre cola nos rolês com a gente, nos jogou a ideia do split com a Ostrabrains, isso inicialmente, coisa que curtimos muito porque já conhecíamos a Amanda e a banda bem de antes. Meio que na mesma época a Räivä se instigou pra gravar o próprio EP também, acho que aconteceu algo parecido com a Thrash No Star, e por sermos todas bandas próximas (a baixista e a baterista da Oldscratch tocam na Räivä e a Thrash é parceira da Ostra) foi fácil pensar em juntar todas num bonde só, e fico muito feliz por ser um disco que várias amigas fazem parte. O lançamento não tá previsto ainda, mas assim que as gravações de todas as bandas finalizarem, sai.

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?
Acho que pode tanto fortalecer as minas que já estão engajadas em projetos musicais, incluindo nós mesmas, quanto incentivar outras que por algum motivo ainda não começaram, além de demarcar nosso espaço do nosso jeito, dizendo e reivindicando o que nos interessa também. Quanto mais produção feminina, melhor. Vai formando um alicerce.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?
Posso dizer que já tá nos planos. Estamos trabalhando ao poucos a ideia.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?
Que a vontade tem que estar acima de todas essas coisas. Até porque se aprende mais fazendo do que se apropriando de teorias e regras. Na maioria das bandas que já fiz e faço parte, teve uma ou mais pessoas que tinham pego pouquíssimas vezes no instrumento e aprenderam nos ensaios. Pra isso é importante estar com pessoas que se sente confortável, que não vão embaçar, que estejam afim de fazer algo junto mesmo. Toquei guitarra sozinha em casa por uns 3 anos até a primeira banda, mas a pressãozinha de acompanhar os outros instrumentos nos ensaios é muito diferente, te adianta em muita coisa. Quanto à idade, isso também não tem nada a ver. Enquanto tiver necessidade de expressão e essa for melhor através da música, assuma, na moral!


CT) Vocês vão lançar músicas indéditas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do 'Padrões de Conserva'?
Então, serão duas músicas mais puxadas pra “There’s no Control” que, assim como essa, foram compostas ainda no início da banda, então têm uma levada mais grunge e são em inglês. Separamos elas pra o 4way, mas sempre tocamos nos shows. Nas demais músicas do nosso disco já preferimos abordar nossas questões com letras em português e o split vai contar com uma delas também.


CT) A cena musical independente de Maceió conta com mais mulheres produzindo música autoral? Indica mais alguma banda punk/hardcore para nós?
Sim sim, entre elas posso citar a Katty Winne (indie shoegaze); Lillian Lessa, tá com projeto solo mais psicodélico e toca na Necro; banda C.I.A., punk/hardcore, só de minas; tem a Arielly Oliveira, que fez parte do Biografia Rap – particularmente não ouço rap, hip hop, mas fui num show dela mês passado e achei incrível o trampo e a presença; e, claro, RÄIVÄ, que logo mais o EP sai da mixagem.



2way: lado Ostra Brains da entrevista

Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

A proposta do Fourway surgiu através da Bárbara Oliveira (Binha) e Klebson Silva, da Oxenti Recs. Fomos convidados a participar no dia que abrimos o show do RVIVR em 2015, na Audio Rebel. A ideia inicial era ser um split Ostra Brains (RJ) + Oldscratch (AL), mas a Binha teve a ideia de juntar RÄIVÄ (AL) + Trash No Star (RJ) no bolo e formar um fourway. Terão três faixas de cada banda no álbum, nós estamos gravando com o Ernesto Sena (Parte Cinza).

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?

Imensa importância, porque existem poucos registros de material feminista no punk/HC do Brasil. Fazer parte disso, é como se estivesse levantando milhões de possibilidades de novas bandas feministas surgirem daqui a meses.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?

Existe um interesse absurdo nessa tour, seria incrível tocarem as quatro bandas! Provavelmente aconteça lá pro final do ano, pelo sudeste mesmo. Ainda não sabemos ao certo.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?

Diríamos "Mete a cara!" rs. Brincadeiras a parte, mas eu, Amanda, faço isso diariamente quando encontro com qualquer menina num show. Acabo tendo uma postura de cobrança, rs. "Como assim você ainda não tem banda?! Você é incrível! O que tá faltando pra começar a tocar qualquer coisa?" Eu me sinto na obrigação de empoderar pessoas a tocarem, porque eu não tive incentivo nenhum, e esse lance de idade não tem limite! Não mesmo!

Quanto a ter banda, eu acredito no potencial de cada mulher. Vale a pena não limitar seus gostos musicais, digo isso por amar Karol Conka, Mc Carol e ouvir Anti-Corpos, sabe? Porque realmente faz falta, o RJ não tem uma banda de hardcore composta por mulheres, mas várias cantoras/musicistas feministas espalhadas por aí, tocando seus instrumentos e isso já me conforta bastante.

CT) O Ostra Brains vai lançar novas músicas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do Gelato Luv?

Serão lançadas três faixas novas no fourway. Todas são de cunho feminista, uma delas fala sobre estupro, outra sobre não admitir ser silenciada e outra sobre ser uma mulher e ter total liberdade para ter relações sexuais com quantas pessoas quiser, sem ser julgada. A forma de compor as bases e as letras não mudaram, mas com a entrada do Roger (baixo) e Mario (bateria), a banda ganhou mais peso. O EP "Gelato Luv" tem uma bagagem "garage punk", um som bastante primitivo e "cru", porém ainda temos essa essência do Garage Punk e do Riot Grrrl, mas com mais presença devido a mudança na formação. O som acabou ficando mais explosivo.

sábado, 30 de julho de 2016

Férias inesperadas ou: vem cá, vamos conversar



Sem planejar, tirei férias de quase dois meses do blog. Confesso que para mim, pareceu muito mais tempo. E você sabe (ou não) mas vez ou outra escrevo sobre ter/manter o blog e para onde estou levando-o (e a mim também). Este é um destes posts. Uma série de fatores causaram as férias: o meu notebook precário, o excesso de trabalho e a estafa causada por ele, aquelas tretonas que aparecem e que consomem sua energia de uma forma que você precisa se desligar para tentar voltar a fazer sentido. Nesse meio tempo deu para ler um pouco, ver umas séries, 'viver a vida na vida' (como diz a Ive) e surtar algumas vezes. E deu pra sentir saudade do blog e ter crise existencial em relação a ele. Me perguntei se ele é válido, se a abordagem está legal, se já não está datado ou é apenas uma forma de me ligar à minha adolescência. Não achei respostas para estas perguntas, e enquanto isso, sigo escrevendo por aqui.

Este ano comecei a escrever o Links da Semana e gostei. E o mais legal, recebi um feedback positivo de vocês. E, durante as férias, comecei a ler algumas newsletters que tornaram meus dias mais completos. Para nomear algumas, Bobagens Imperdíveis, Mulheres que Escrevem, Farol Jornalismo, femrecs da Letícia Arcoverde, Ágda e algumas outras. Isto de receber uma curadoria de conteúdo que tem a ver comigo, no meu e-mail, tornou as salas de espera, leitos de hospital e as manhãs de sábado mais agradáveis. Recomendo que você confira esta lista, que foi criada pela Aline Valek (que escreve o Bobagens Imperdíveis). Lá você encontrará várias newsletters e talvez uma delas te agrade.




Foi aí que senti a vontade de experimentar escrever uma newsletter, e queria saber se vocês teriam vontade de ler uma do blog. É uma forma um pouco mais íntima de diálogo, pois você pode fazer como eu, responder a newsletter com suas elucubrações e trocar figurinhas. Por isso, preparei este questionário - que é curto, promessa minha - e gostaria que você respondesse. Deve ser meu sol em peixes, mas gosto de ouvir as considerações dos outros sobre o blog, quando há alguma. Além da newsletter, pergunto também sobre o que você gosta ou gostaria de ler aqui e outras coisinhas. Pessoalmente, curto muito responder um questionário, se você também, vou gostar de ler suas respostas. Se isso falhar miseravelmente vou pensar no que fazer.

E para não falar que não falei em música, este texto foi escrito ao som de 'Sobre os Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia (Parte 1)', o ep de estreia da Def, banda do Rio de Janeiro. Se tudo der certo, em breve você lerá mais cosias sobre a banda por aqui.

Não esquece, se quiser responder o questionário, venha aqui. Nunca fiz um, mas creio que deixarei o link ativo durante 15 dias para quem quiser chegar.